Blog

Petição

Untitled-1

Por Mateus Borges

Pedi para que Dandara não morresse. Eu não tinha um paletó para o seu funeral. Como ela podia me fazer a desfeita de morrer logo quando estava maltrapilho? Ela não podia, nem mesmo em brincadeira. Esperava tato maior de Dandara, moça de meu colégio que corria os dedos pelos lápis como se fossem provas da sua meticulosidade, e que atava os cabelos num nó tão poderoso e convoluto que ele absorvia todos os raios luminosos e suspiros arredores.

Pedi para que Dompê não morresse. Não tinha piadas para o seu funeral. Qual anedota alivia o luto e o músculo rijo do post mortem? Fico com a sensação de que apenas ele saberia a saída para essa, e a vontade que me dá é a de virar um homenzinho, escalando as engrenagens das máquinas e dos tubos que o mantêm vivo.  Entrar pelo seu nariz ridículo de papagaio e fazer abrigo naquele cérebro doutro mundo, tudo até que ele me contasse a resposta ou a gente pedisse uma cerveja.

Pedi para que meu avô paterno não morresse. Eu não tinha memórias para o seu funeral me fazer qualquer sentido. Nunca o conheci direito, e retraço seu rosto em meu cérebro a partir das marcas deixadas por uma ausência que nunca se justificou — sustentada em culpas de terceiros que eu sei que foram amainadas por ele dos piores jeitos possíveis. Finjo um sentimento que pede verdade. Mas que jeito é esse de se fazer julgamentos, esse jeito que se prosta não ao que foi, e sim ao que deveria ter sido?

Pedi para que Davi não morresse. Eu ainda tinha todos os seus livros para memorizar. Quem disse que a morte é a única coisa inevitável de certo não conhecia o silêncio.

Pedi para que Dona Ivete não morresse. Eu não tinha mais surpresas para o seu funeral. O luto fora parcelado em juros altíssimos que ainda se cobram e amortizam. Cada um levava uma parte, e eu ainda sou perversamente feliz em não ter sido um dos donatários. Seu marido estava há anos sendo o desastre mais alto e sisudo que eu já havia visto na vida – sua influência na família era tão clara que o mero muxoxo parecia dissipar todas as fraquezas dos filhos e dos netos, retornando a casa aos seus impecáveis utensílios.

Pedi para que Magda não morresse. Eu não tinha mais um funeral dentro de mim. Eles me pediriam palavras, me pediriam gestos, me pediriam recortes e afazeres de tudo que eu passei com ela, de tudo que éramos e que havia cessado de importar no capricho de um mini-segundo. O que eu poderia dizer para eles que a dor já não havia dito? O que eu poderia fazer por Magda que ela, em seus jeitos mimados, suas manobras difusas, já não havia feito? Mais que feito: repensado, abençoado através de sua própria paranoia. Quando ela pensava, as suas feições zuniam tanto que toda a cólera e o rancor paravam de fazer sentido, e então eu só via o seu rosto. Um assombro em todos os sentidos da palavra.

Pedi, pedi, pedi. E a inevitável negativa veio da ausência nos dias mais comuns.

mateusb

Estranha Maceió #03 – O céu à noite

estranhamaceió

 

Por José Aragão Jr.

11/05/15

Estou envergonhado. Mal conheço Cesar Filho e ele já abriu as porteiras do Dançando Sem César para a minha humilde produção.

E é com esse peso nas costas (that’s what she said!) que tentarei cumprir com o que prometi ao novo chefe: entregar, a cada duas semanas, uma nova edição do podcast Estranha Maceió.

Mas o que seria o Estranha Maceió, pergunta alguém com uma voz rouca, escondido nas sombras de um beco escuro. Bom, singelo Homem da Escuridão, Estranha Maceió é uma forma de retratar nossa bela, feia, limpa, suja, politicamente correta, incorretamente política cidade.

A receita é simples: pegue um punhado de Maceió, com seus costumes e problemas estruturais típicos, adicione uma pitada de humor (espero), um pouco de crítica e irreverência e mergulhe em um molho de ficção científica e referências pop/nerd.

Deixe a mistura cozinhar em fogo alto, no meu cérebro, por duas semanas e voilá: 22 minutos de… De… Bem, é melhor que você, ouvinte, o classifique sozinho.

Nascido no já extinto Zona Crítica, site pernambucano de variedades fechado ainda essa semana, Estranha Maceió já conta com duas edições, sendo esta a primeira a ser postada em Dançando Sem Cesar.

A primeira de muitas, espero.

UPDATE: Forças além de qualquer razão ou explicação nos forçam a postar todos os podcasts já produzidos. Não sabemos quem ou que é responsável, portanto encare com extrema cautela. Ou, como promoção de feira. Leve três, pague nenhum.

T01E03 – O CÉU À NOITE

T01E02 – O MONSTRO DO PONTAL

T01E01 – A CRATERA DO CLETO

zéaragão

Tirinha #794 – Não esqueça da descarga

não esqueça da descarga

Tirinha #793 – Tá fora do conceito

tá fora do conceito

Agora o cliente aprova.

Tirinha #792 – Dave & Harold #133

Goto Top